Metodologia Ágil: por que aplicar no seu dia a dia?

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Metodologia Ágil: por que aplicar no seu dia a dia?

Estamos sempre nos perguntando como podemos melhorar o desempenho dos nossos projetos, certo?

Projetos, culturas e modelos ágeis são uma tendência que está aqui e veio para ficar, dentro de startups às grandes corporações. A metodologia ágil tem o poder de revolucionar a gestão e acelerar seus projetos, como nenhum método é capaz.

Como que a Metodologia Ágil surgiu?

Há alguns anos, um grupo de profissionais da área de software se reuniram para discutir formas de melhorar o desempenho de seus projetos. Entre eles, mesmo que cada um tivesse suas particularidades, concordavam que um pequeno conjunto de princípios sempre parecia ter sido respeitado quando os projetos davam certo.

Tomando esses princípios como base, eles criaram o Manifesto para o Desenvolvimento Ágil de Software, chamado de Manifesto Ágil, e o termo Desenvolvimento Ágil passou a descrever abordagens de desenvolvimento que seguissem estes princípios:

“Estamos descobrindo maneiras melhores de desenvolver software fazendo-o nós mesmos e ajudando outros a fazê-lo. Através desse trabalho, passamos a valorizar:

  • Indivíduos e interação entre eles mais que processos e ferramentas;
  • Software em funcionamento mais que documentação abrangente;
  • Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;
  • Responder a mudanças mais que seguir um plano.

Ou seja, mesmo havendo valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à direita.”

O que é Metodologia Ágil?

Desde o manifesto, muitas obras foram desenvolvidas abordando as chamadas metodologias considerada ágeis, que aprimoram a atuação dos times de colaboradores. Seus princípios, que eram muito aplicados na tecnologia, passam a ser aplicados em outros campos, na área de projetos e marketing.

A Metodologia Ágil é uma alternativa ao modelo tradicional de gestão de projeto. O objetivo é auxiliar as empresas a lidarem com imprevisibilidades dentro de projetos, por intermédio de ciclos que estimulam maior interação entre consumidores e colaboradores.

Existem entregas parciais dinâmicas e constantes, isto é, o cliente não necessita aguardar muito tempo para acessar resultados. A Metodologia Ágil ainda estimula a adaptação continua e a atuação em equipe. Foco no consumidor, produção de maior valor agregado e auto-organização integram os seus pilares.

Suas práticas têm por propósito a entrega rápida e de alta qualidade do produto final do projeto, permitindo ainda que seja entregue em partes à medida que se desenvolve. Basicamente, as abordagens das metodologias ágeis sintonizam a criação e a condução de projetos aos objetivos do negócio e às necessidades dos consumidores.

De acordo com a pesquisa PMI’s Pulse of the Profession 2018, realizada pelo Instituto PMI, 73% das organizações globais já utilizam os métodos ágeis para gerenciar seus projetos.

Sendo que, os projetos geridos com essa abordagem são 28% mais bem-sucedidos do que aqueles conduzidos pelos meios tradicionais, segundo o relatório Agile Project Delivery Confidence, lançado em 2017 pela PwC.

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As diferenças entre metodologias ágeis e tradicionais

As metodologias ágeis são bem diferentes das tradicionais em vários pontos, mas um dos principais é a velocidade do processo.

Aquilo que conhecemos e entendemos como metodologia tradicional, ou metodologia cascata, é aquela sequência predefinida de etapas, como análise de requisitos, desenvolvimento, testes, produção e manutenção.

A abordagem, os projetos são bastante demorados, e o princípio é prever quais serão os resultados na entrega final.

Já, na metodologia ágil, o foco é adaptar ao invés de planejar.

Por isso, os projetos são divididos em pequenas entregas denominada interações. Cada interação é um “miniprojeto”, ou seja, inclui todas as etapas citadas em um ciclo rápido e eficiente, que gera uma entrega parcial.

Assim, o cliente consegue ver resultados rapidamente e dar seu feedback durante todo o processo – daí a característica incremental do método. Os ciclos vão se repetindo e é aprimorado continuamente de modo experimental, podendo ser testado em cada funcionalidade.

Dessa forma, esses métodos tornam possíveis a entregar de mais valor em menos tempo do que com a metodologia tradicional. Por isso, a metodologia ágil garante até uma versão final mais completa e assertiva do que na metodologia tradicional.

Além disso, mais uma diferença fundamental, é que na metodologia ágil os projetos estão sempre abertos às mudanças, por mais impactantes que sejam. Isso é bem diferente do que o método tradicional, que sempre procura minimizar as alterações para não comprometer o planejamento.

Um diferencial muito importante é que dentro da cultura ágil, isso porque as entregas fragmentadas permitem que todos avaliem o progresso do produto ou serviço. Isso faz com que a criação em conjunto evolua.

Confira alguns métodos mais utilizados no mercado!

Scrum

O Scrum é um dos métodos ágeis mais versáteis e complexos, que otimiza o gerenciamento dos mais diversos projetos. Esse método foi lançado em 1990 e oferece uma dinâmica única para organizar equipes em torno de um objetivo comum, seja a criação de um software, produto ou serviço.

Antes de entender como funciona, você precisa saber os conceitos:

  • Product Owner (Dono do Produto): é responsável por coordenar o time de desenvolvimento (ou time Scrum) e gerenciar o Backlog do produto.
  • Time de desenvolvimento: equipe multidisciplinar e auto-organizada envolvida no projeto.
  • Backlog: é o conjunto de funcionalidades do produto a ser desenvolvido, que vão mudando conforme o projeto avança.
  • Sprint: é a interação do Scrum, ou seja, cada ciclo rápido de trabalho que gera uma entrega parcial em intervalos de semanas ou meses. Cada projeto contém vários Sprints sequenciais, que possuem seus próprios Sprint Backlog (conjuntos de funcionalidades por etapa).
  • Scrum Master: é o facilitador do método, responsável por garantir que todos entendam e apliquem o Scrum corretamente.

Logo, você tem um Product Owner que está gerenciando um Scrum para alcançar os melhores resultados em cada Sprint, avançando até completar o Backlog do produto. No meio do processo, são realizadas várias reuniões (diárias, semanais e mensais) e regras a serem cumpridas para que a metodologia funcione.

A metodologia ágil do Scrum tem como principal objetivo, garantir a entrega de valor e máxima qualidade do início do fim do projeto, renegociando o escopo conforme necessário.

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Kanban

O Kanban é uma metodologia ágil muito antiga, ela é inspirada em métodos dos japoneses para organizar o fluxo de trabalho nas fábricas.

Um ótimo exemplo é a fabricante de automóveis Toyota, que nos anos 1960 desenvolveu o sistema Kanban, que consistia basicamente no uso de cartões de sinalização para representar o status dos produtos e ajudar a sincronizar o estoque com a produção.

Hoje, nós reproduzimos esse sistema Kanban da Metodologia Ágil, nos famosos quadro de post-its, ou nas plataformas de organização como o Trello, oferecem uma visão geral do andamento das tarefas na empresa.

A ideia principal do Kanban é a criação de um simples método visual para todos entenderem e acompanhem as tarefas, projetos e responsabilidades da equipe. Geralmente, as funções ficam distribuídas em três categorias: pendente, em andamento e concluído.

Com ele, gestores conseguem priorizar o que é mais importante e os colaboradores não ficam sobrecarregados, porque fica claro o limite de tarefas para cada um e os prazos acordados.

eXtreme Programming (XP)

O eXtreme Programming, ou XP, é uma metodologia ágil que tem muito mais foco para engenharia de software que se parece com Scrum. Porém, se o Scrum é voltado para práticas de gestão, o XP está mais ligado às funções técnicas.

O principal objetivo do método XP é levar as boas práticas de desenvolvimento de software ao extremo, a partir dos critérios:

  • Testar, revisar e projetar continuamente;
  • Integrar o tempo todo;
  • Desenvolver as soluções com o máximo de simplicidade;
  • Realizar iterações realmente curtas.

Por isso, o XP tem ciclos curtos que reduzem as incertezas e riscos do produto, adotando a melhoria constante de códigos, testes automatizados e integração contínua. Uma outra característica essencial do método é o feedback constante do cliente, que acompanha o processo do início ao fim e solicitar quantas mudanças desejar.

Inclusive, é possível combinar o Scrum com o XP para chegar a uma metodologia de desenvolvimento altamente eficiente.

Lean

Mais uma metodologia que saiu do Sistema Toyota de Produção, a metodologia lean surgiu do conceito Lean Manufacturing (manufatura enxuta). Criada após a Segunda Guerra Mundial e tinha como objetivo reduzir os desperdícios de tempo, dinheiro e recursos na indústria.

O termo foi resgatado em 2011, no Vale do Silício, pelo empreendedor Eric Ries, que busca seguir os mesmos princípios das fábricas japonesas para deixar os processos mais “enxutos”.

Gerenciar o negócio de forma mais rápida, barata e melhor, alocando somente os recursos necessários para cada projeto e ciclo iterativo. Para conseguir atingir seu propósito, a metodologia lean abrange ferramentas como o Business Canva Model, Growth Hacking e Customer Development, que simplificam e tornam as estratégias do negócio.

Ele pode ser combinado com os outros dois métodos que já falamos sobre: Scrum e Kanban e formar um kit de gestão inovadora.

Dynamic Systems Development Methodology (DSDM)

O Dynamic Systems Development Methodology (DSDM), e na tradução literal é: metodologia de densenvolvimento de sistemas dinâmicos, faz parte da metodologia ágil e foi criado em 1990, pela indústria de TI.

Ele é um framework utilizado para desenvolver softwares com participação contínua do usuário, em modelo iterativo e incremental.

O DSDM possui três fases:

  • Pré-projeto: aqui é onde são identificados todos os projetos e definidos os orçamentos e controle dos recursos.
  • Projeto: ele se inicia com estudos de viabilidade, tanto do ponto de vista funcional, quanto econômico. Protótipos incrementais são criados nas iterações, para demonstrar as funcionalidades ao cliente, nos ciclos de feedback, chegando ao implemento final.
  • Pós-projeto: na fase final, são realizadas as manutenções e ajustes necessários. Dentro disso, eles podem até retomar fases anteriores, se for preciso.
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Feature Driven Development

O FDD, ou Feature Driven Development, é um dos métodos ágeis criados no final dos anos 90, por Jeff de Luca, estrategista de TI em Singapura. Essa metodologia introduziu a ideia de desenvolvimento a partir das funcionalidades, contendo cinco processos básicos:

  1. Desenvolvimento de um modelo abrangente;
  2. Construção de uma lista de funcionalidades;
  3. Planejamento por funcionalidade;
  4. Detalhe por funcionalidade;
  5. Construção por funcionalidade.

Se combinarmos o FDD com o Scrum, aplicando o método de funcionalidade em cada Sprint Backlog, é possível planejar melhor as tarefas de cada ciclo.

Adaptive Software Development (ASD)

O, em português, Desenvolvimento de Software Adaptativo, ou com o nome original, Adaptive Software Development (ASD), é um método ágil criado especificamente para projetos complexos.

Assim como as outras metodologias ágeis que vimos hoje, ele é baseado nos ciclos iterativos e incrementais na presença constante do cliente durante o processo. Para aplicar o ASD, é necessário seguir seis princípios:

  1. Orientado a missões: todas a iterações são justificadas por uma missão, que pode mudar ao longo do projeto.
  2. Baseado em componentes: o software será desenvolvido em pequenas partes.
  3. Iterativo: todas as iterações sempre devem evoluir até a implementação satisfatória.
  4. Prazos Pré-fixados: prazos devem ser tangíveis, fixos e realistas.
  5. Tolerância a mudança: as mudanças são frequentes e bem-vindas.
  6. Orientado a riscos: os itens de alto risco são desenvolvidos primeiro.

Scaled Agile Framework (SAFe)

Baseada nos princípios da metodologia ágil Lean, o SAFe foi criado por Dean Leffingwell, um dos maiores especialistas em cultura ágil do mundo. Em síntese, o método utiliza as mesmas funções do Scrum e XP, mas utiliza um diagrama conhecido como “The Big Picture”, que reúne todos os processos, fluxos e atividades da empresa.

Dentro do Scaled Agile Framework, todos os projetos são divididos em três categorias principais: portfolio (gerencial), program (estratégico) e team (operacional).

Com isso, grandes corporações podem aplicar a metodologia ágil, tomando como base um framework pensado em nível organizacional, para implementação gradual.

Não sei se você notou, mas as metodologias ágeis já vão muito além dos limites da TI e ganharam o mundo da gestão de empresas em variados portes e segmentos. Além do desenvolvimento de softwares, os métodos podem ser aplicados em qualquer processo de criação de produtos e serviços, principalmente para empreendedores.

As vantagens vão desde a economia de tempo e recursos, até o aumento de engajamento das suas equipes, que vão ter uma integração mais simples e cooperar mais facilmente.

Como pudemos observar, é mais simples de se obter a satisfação do cliente, já que ele estará envolvido em todas as iterações, com testes contínuos e aprimoramentos feitos no produto em cada ciclo.

Além de todos esses benefícios, aquelas empresas que adotam a metodologia ágil estão sempre prontas para reagir às mudanças mais rapidamente e inovar em sua rotina. Quando a cultura da organização se torna mais rápida, as melhorias passam a fazer parte do mindset da empresa e guia o crescimento do negócio.

A principio, os conceitos de metodologia ágil não são muito claros, mas eles existem para simplificar e acelerar, mesmo que pareçam complexos. Se adotar eles na prática, você vai observar como eles passam a ser automáticos e são automaticamente integrados à cultura da empresa.

Então, o que você achou? Como você quer adotar a metodologia ágil? Conta pra gente e compartilhe seus insights sobre a temática!